O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando-a a 14,25% ao ano. A decisão em si não surpreendeu o mercado, mas a forma como o Banco Central a comunicou gerou reação negativa: os juros prefixados ampliaram a distância em relação à taxa básica e o rendimento dos papéis atrelados à inflação subiu ao maior nível já registrado na série histórica.
O ponto que irritou os investidores foi a menção, no comunicado oficial, ao primeiro trimestre de 2028 como referência para justificar o corte. Para economistas, a citação introduziu um ruído desnecessário e rompeu com a coerência do modelo historicamente adotado pelo BC, dando a impressão de que a autoridade monetária alterou as próprias regras para viabilizar a redução dos juros agora.
Luciano Sobral, economista-chefe da Neo Investimentos, sintetizou a leitura do mercado: a percepção é de que o Copom precisou modificar o arcabouço analítico com o qual trabalha para conseguir sustentar a decisão de cortar a Selic neste momento, o que abala a credibilidade do processo decisório e gera incerteza sobre os próximos passos da política monetária.


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