Representantes dos Estados Unidos e do Irã realizaram neste domingo, 21, na Suíça, a primeira rodada de negociações presenciais desde a assinatura do memorando de entendimento que prevê um acordo de paz abrangente para o Oriente Médio. O encontro, com duração de 80 minutos, ocorreu em meio à continuidade da guerra entre Israel e o Hezbollah no Líbano e ao fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, anunciado no sábado, 20, em resposta a ataques israelenses no território libanês.
A delegação iraniana afirmou aos americanos que um acordo final só será possível com o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, disse em rede social que, sem a implementação dessas disposições, citando especialmente o encerramento do conflito no território libanês, não é possível avançar para a fase de negociação do acordo final. Segundo ele, o encontro também tratou de isenções para a exportação de petróleo iraniano, hoje sob sanções dos EUA, e de medidas para a liberação de fundos do país congelados no exterior.
As conversas ocorreram sob pano de fundo de declarações mais duras entre os dois lados. O presidente americano, Donald Trump, voltou a ameaçar atacar o Irã, responsabilizando o Hezbollah pela situação no Líbano e afirmando que os EUA agiriam “com muita força” caso o grupo não fosse contido por Teerã. O chefe do Parlamento iraniano e líder da delegação nas negociações, Mohammad Bagher Ghalibaf, respondeu que o país não leva em conta ameaças americanas e que suas Forças Armadas estão prontas para reagir. Antes da fala de Trump, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, à frente da delegação americana, havia dito a jornalistas que as negociações registraram “grande progresso” nos últimos dias e que o objetivo definido pelo presidente é transformar a relação dos Estados Unidos com o povo iraniano.
Enquanto o Irã pressiona Washington a forçar uma retirada israelense do Líbano, o governo de Israel mantém a posição de que suas tropas permanecerão no sul do país vizinho. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse em rede social que Israel tem liberdade para agir no território libanês sem restrições para eliminar ameaças e que, conforme reforçado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o país não deixará a chamada zona de segurança no sul do Líbano.
O Hezbollah, por sua vez, declarou neste domingo que qualquer violação da ocupação israelense no Líbano será respondida pelo grupo. Em comunicado, o secretário-geral do movimento xiita, Sheikh Naim Qassem, afirmou que Israel deve deixar o território libanês e que os Estados Unidos têm capacidade para obrigar o aliado a interromper as ações no país, já que, segundo ele, foi o apoio americano que permitiu o avanço da ocupação israelense.


Be the first to comment