PF investiga Digimais, Banco de Edir Macedo, e bloqueia até R$ 670 milhões em apuração sobre fraude financeira

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça, 23, a Operação Miragem para investigar supostas irregularidades financeiras envolvendo o Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus. A ação ocorre em São Paulo e busca apurar possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, com cumprimento de mandados judiciais, quebra de sigilos e bloqueio de bens que podem ultrapassar R$ 670 milhões.

Mais de 50 policiais federais participaram da operação, executando nove mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal. As medidas atingem dez empresas e oito pessoas físicas apontadas como alvos das investigações. Além das buscas, a decisão judicial determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 18 investigados, bem como o sequestro e bloqueio de ativos financeiros para garantir eventual ressarcimento de prejuízos.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações foram fortalecidas por relatórios produzidos pelo Banco Central, que teriam identificado indícios de manipulação de registros contábeis e regulatórios da instituição financeira. A suspeita é de que administradores do banco tenham adotado práticas destinadas a ocultar a real situação econômico-financeira da empresa, apresentando uma imagem de solvência superior à efetivamente existente.

Segundo os investigadores, o esquema teria envolvido a criação artificial de receitas e o aumento indevido de ativos, permitindo que a instituição aparentasse estabilidade financeira perante órgãos de fiscalização e agentes do mercado. A PF avalia que essas manobras poderiam ter mascarado dificuldades financeiras e possibilitado a realização de operações consideradas incompatíveis com as normas que regulam o setor bancário.

As apurações também apontam para a existência de operações financeiras classificadas como suspeitas em benefício da empresa controladora do banco. Outro aspecto investigado envolve a possível inserção de informações falsas em sistemas oficiais do Banco Central, o que teria contribuído para distorcer a percepção sobre a saúde financeira da instituição.

A corporação informou ainda que algumas das práticas identificadas apresentam características semelhantes às verificadas em outros casos envolvendo instituições financeiras que enfrentaram crises ou sofreram intervenção regulatória. A análise dessas movimentações busca determinar a extensão das irregularidades e eventuais responsabilidades dos envolvidos.

Caso as suspeitas sejam confirmadas, os investigados poderão responder por crimes previstos na Lei nº 7.492/1986, conhecida como Lei dos Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Entre os delitos apurados estão gestão fraudulenta de instituição financeira, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas pela legislação.

Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estão Marcelo de Lima Brasil, João Alves de Campos, Rodrigo Ruggero, João Luiz Urbaneja, Thiago Rodrigues Urbaneja, José Roberto Giancoli Filho e Rodrigo Balassiano. Também figuram entre os investigados o Banco Digimais S.A. e a ID Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

A Operação Miragem segue em andamento e a Polícia Federal continuará analisando documentos, registros eletrônicos e demais materiais apreendidos para aprofundar as investigações sobre a atuação da instituição e de seus administradores.

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