Só 5% das crianças pequenas têm as três doses contra a covid

Profissional de saúde aplica vacina em criança em unidade de saúde. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
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Apenas 5% das crianças pequenas do país estão protegidas com as três doses da vacina contra a covid-19, segundo o Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde. Neste ano, a doença causou mais de mil internações e 25 mortes de crianças e adolescentes no Brasil.

Em 2026, mais de 1,1 mil crianças menores de 14 anos foram hospitalizadas com quadros respiratórios graves causados pelo coronavírus. Entre as 25 que morreram, 15 tinham menos de dois anos. O dado não define o que o programa considera “crianças pequenas” nem a data de referência do percentual de 5%.

O diretor do PNI, Eder Gatti, atribui a cobertura baixa aos ataques contra a vacina feitos durante a pandemia, inclusive por membros do governo da época, sem nomear ninguém. “Tem que pôr na conta de quem de fato deve. A gente compra as vacinas, distribui e cumpre nossa obrigação constitucional, só que há o desincentivo da população para se vacinar”, afirmou. Para ele, qualquer dose perdida hoje é consequência do discurso antivacina.

Gatti disse que o país tem estoques do imunizante e contratos para manter o abastecimento em dia, sem informar o número de doses. O diretor também defendeu o programa: “A gente está falando não só de vidas salvas, mas de menos ocupação do sistema de saúde. O Programa Nacional de Imunização traz retorno à sociedade e deve ser muito preservado”. O orçamento do PNI quase dobrou nos últimos anos, de R$ 5 bilhões para quase R$ 10 bilhões previstos para o ano que vem.

Desde 2024, a vacina é recomendada no calendário básico aos seis, sete e nove meses de idade, e as doses podem ser aplicadas antes dos cinco anos. No mesmo ano, o governo federal adotou uma estratégia direcionada às crianças e a grupos vulneráveis, como idosos, imunocomprometidos e pessoas com deficiência, que devem tomar reforço periódico. O imunizante infantil é armazenado congelado e, depois de descongelado, tem validade de 10 semanas; a dose não usada nesse prazo precisa ser descartada.

Sobre a segurança, o Ministério da Saúde afirma que miocardite e trombose, reações temidas, ocorrem em proporção muito maior em pessoas contaminadas pela covid-19 do que em vacinadas. Segundo dados cuja origem não foi identificada, entre mais de seis milhões de doses aplicadas em crianças durante a pandemia não houve registro de óbito, e 92% das reações notificadas foram leves, como febre e dor no local da aplicação. Gatti afirmou ainda que “essa é a vacina mais estudada de todas”. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo, com dados de 24 cidades, mostrou redução de 97% nos casos graves em crianças.

A vacinação infantil contra a covid-19 começou no Brasil em janeiro de 2022, quase um mês depois da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2023 mostrou que 15% das crianças e adolescentes de cinco a 17 anos não haviam sido vacinados, mesmo durante a emergência sanitária. Entre os responsáveis, quase 40% alegaram medo de reação adversa ou de injeção, 22% acharam a vacina desnecessária e 18% disseram não confiar no imunizante.

O PNI é coordenado pelo Ministério da Saúde, que planeja, financia e distribui as vacinas, enquanto as secretarias estaduais e municipais aplicam as doses em postos, unidades de saúde e campanhas. No Distrito Federal, a Secretaria de Saúde informa que toda a população pode se vacinar nas salas de vacinação das unidades, mas não divulgou dados de cobertura infantil contra a covid. Leia também: Brasil incinera mais de 10 milhões de vacinas vencidas em meio a desafios na cobertura vacinal e Ministério da Saúde reforça alerta para sarampo no Brasil. Mais notícias na editoria Brasil.

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