Um profissional de saúde que atuava na resposta ao surto de ebola foi morto por manifestantes em Bafwasende, localidade rural da província de Tshopo, na República Democrática do Congo. Outro profissional ficou gravemente ferido e foi hospitalizado, segundo a ONU, que condenou o crime nesta segunda, 26.
A morte ocorreu durante um atendimento motivado por um alerta de contágio da doença. A data do ataque não é consenso: o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, indicou em postagem no X que foi no sábado, 24, enquanto outro relato o situa na sexta, 23. Nenhuma das fontes divulga o nome da vítima nem o do colega ferido.
Uma autoridade local de saúde, que não teve o nome divulgado, afirmou que a vítima era um profissional veterano, que tratava pacientes com ebola no hospital geral de Bafwasende, e que teria sido confundida com uma pessoa estranha à região. Segundo ela, o colega que sobreviveu se recupera no hospital e nenhum dos enfermeiros tem dormido em casa por temer pela própria segurança. Outros profissionais se refugiaram no hospital sob proteção policial, e o exército foi mobilizado temporariamente para a área.
Julien Harneis, coordenador de Resposta ao Ebola da ONU, expressou condolências à família e aos colegas da vítima e cobrou “uma investigação aprofundada” do caso. Ele também pediu que as autoridades “protejam os trabalhadores de saúde e permitam que realizem seu trabalho em segurança”. Tedros afirmou que a integridade dos profissionais na linha de frente precisa ser garantida e que os serviços de saúde devem ser sempre protegidos. O diretor regional da OMS para a África, Mohamed Yakub Janabi, também condenou o ataque no X e escreveu que “a desinformação e o medo nunca devem alimentar a violência”.
As autoridades locais ainda não se pronunciaram sobre o ataque nem sobre os suspeitos. A mesma autoridade de saúde disse que jovens da região já haviam atacado outro colega e incendiado a casa dele, sem informar quando. Antes do surto atual, vários profissionais de saúde foram mortos em Tshopo depois de acusados de espalhar uma doença imaginária que causaria atrofia dos órgãos genitais masculinos.
Em maio, no início do surto, moradores incendiaram duas tendas em postos de saúde em dois ataques separados na mesma semana, e as equipes relatam ameaças e resistência de comunidades. No mês passado, segundo relatos, um político congolês foi espancado até a morte em Kivu do Norte depois de defender publicamente a resposta do governo ao ebola.
O surto foi declarado em 15 de maio e é provocado pela cepa Bundibugyo do vírus, para a qual não há vacina aprovada. A OMS estima mais de 9,76 mil casos e cerca de 4,72 mil mortes no país desde então. O vírus já chegou a oito províncias: Bas-Uélé, Haut-Uélé, Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Sud Ubangi, Tshopo e Nord-Ubangi. Os números variam conforme a fonte e a data de corte, e o instituto de saúde pública do Congo informou 9.964 casos confirmados na sexta, 23.
Fora do Congo, a Nigéria confirmou na semana passada seu primeiro caso, uma cidadã suíça que havia viajado a partir de Uganda. Ela e o marido foram levados à Suíça, de modo que o país deixou de ter casos ativos, mas mantém 52 contatos sob vigilância. No Quênia, 20 pessoas ligadas ao primeiro caso importado concluíram 21 dias de quarentena sem sintomas, e Uganda controlou a doença em agosto, embora casos pontuais tenham sido notificados na França, no Quênia e na Nigéria.


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