EDITORIAL | Centrad finalmente começa a cumprir sua função

A decisão da governadora do Distrito Federal, Celina Leão, de iniciar a ocupação do Centro Administrativo do Distrito Federal (CADF), conhecido pela população como Centrad, representa uma das medidas mais acertadas da atual gestão. Trata-se de uma iniciativa que a Gazeta Notícias defende há anos e que, finalmente, começa a tirar do papel um projeto concebido justamente para concentrar órgãos públicos e reduzir despesas do governo.

Não fazia sentido que uma estrutura com cerca de 182 mil metros quadrados de área construída, erguida ao custo aproximado de R$ 1,5 bilhão, permanecesse subutilizada enquanto diversas secretarias continuavam funcionando em imóveis alugados. Em tempos de responsabilidade fiscal, manter essa situação significava desperdiçar recursos públicos que poderiam ser direcionados para áreas essenciais como saúde, educação e segurança.

A transferência gradual das secretarias para o complexo administrativo representa mais do que uma simples mudança de endereço. Trata-se de uma reorganização da máquina pública capaz de gerar economia permanente, melhorar a integração entre órgãos governamentais e oferecer melhores condições de trabalho aos servidores públicos. O anúncio de que a própria governadora pretende transferir seu gabinete para o local demonstra que a ocupação do espaço será tratada como prioridade de governo.

Os benefícios também alcançam a mobilidade urbana e o desenvolvimento econômico da região oeste do Distrito Federal. Ao concentrar milhares de servidores em uma área estratégica entre Taguatinga, Ceilândia e Samambaia, o governo contribui para descentralizar atividades hoje excessivamente concentradas no Plano Piloto. A tendência é reduzir deslocamentos diários e estimular a movimentação econômica no entorno do complexo administrativo.

A Gazeta Notícias acompanhou de perto a história do Centrad e sempre defendeu que o empreendimento não poderia continuar sendo lembrado apenas pelo seu custo bilionário. O verdadeiro retorno para a população virá quando o espaço estiver plenamente ocupado e cumprindo a finalidade para a qual foi planejado. A decisão anunciada nesta semana aponta exatamente nessa direção.

Agora, o desafio do Governo do Distrito Federal será transformar a intenção em realidade, estabelecendo um cronograma eficiente para que o CADF alcance sua ocupação integral. O mais importante, porém, já aconteceu: o governo decidiu dar utilidade a um patrimônio público que, por tempo demais, permaneceu abaixo de seu potencial.

FELIPE SEABRA

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