O Irã escalou nesta quarta, 20, sua retórica militar ao ameaçar estender o conflito para além do Oriente Médio caso os Estados Unidos retomem os ataques, após o presidente Donald Trump afirmar que esteve a apenas uma hora de ordenar uma nova campanha de bombardeios na terça, 19. A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou em comunicado que, em caso de nova agressão, “os golpes devastadores vos esmagarão”, e que os EUA e Israel não devem esperar ataques apenas em locais previsíveis dentro da região. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, reforçou o tom, advertindo que os inimigos do Irã terão “muitas mais surpresas” se decidirem atacar novamente.
Seis semanas após Trump suspender a Operação Epic Fury em favor de um cessar-fogo, as negociações para encerrar a guerra estão praticamente paralisadas. O Irã apresentou uma nova proposta a Washington nesta semana, mas os termos divulgados publicamente repetem exigências já rejeitadas por Trump, incluindo o controle do Estreito de Ormuz, indenização por danos de guerra, suspensão das sanções, liberação de ativos congelados e a retirada das tropas americanas da região.
Na frente diplomática, o ministro do Interior do Paquistão chegou a Teerã nesta quarta, segundo a agência Tasnim. O Paquistão sediou a única rodada de negociações de paz do mês passado e tem atuado como canal de comunicação entre as partes. O presidente chinês, Xi Jinping, classificou a retomada das hostilidades como “inadvisável” e pediu cessar-fogo imediato em conversa com o presidente russo Vladimir Putin, em Pequim. Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, responsabilizaram milícias iraquianas apoiadas pelo Irã pelo lançamento de seis drones contra seu território nesta semana, um dos quais atingiu área próxima à usina nuclear de Barakah.
Desde o início da campanha militar conjunta EUA-Israel em fevereiro, o Irã praticamente fechou o Estreito de Ormuz para todos os navios, exceto os seus próprios, canal por onde normalmente passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo, gerando a maior interrupção no fornecimento global de energia da história. Os Estados Unidos responderam no mês passado com seu próprio bloqueio aos portos iranianos, aprofundando o impasse econômico que pressiona ambos os lados a encontrar uma saída negociada, até agora sem sucesso.


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