Centenas de milhares de crianças voltaram às aulas presenciais em Gaza no último sábado, 19, pela primeira vez em quase três anos. O retorno ocorre em meio à destruição provocada pela guerra, com estudantes frequentando prédios danificados, escolas improvisadas e salas montadas em tendas.
Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 98% das escolas de Gaza foram destruídas ou danificadas durante o conflito. Autoridades educacionais locais estimam que cerca de 660 mil estudantes ficaram privados do ensino presencial e da participação regular nas atividades escolares.
Para permitir a retomada do ano letivo de 2026-2027, o Ministério da Educação, com apoio de organizações internacionais e locais, criou dezenas de espaços temporários construídos com barracas, lonas, madeira e chapas de metal. Algumas salas funcionam com poucos colchões e um quadro, enquanto parte das estruturas ainda abriga famílias deslocadas.
A expectativa das autoridades educacionais é de que pelo menos 540 mil alunos participem das aulas presenciais neste ano em escolas improvisadas, centros temporários de aprendizagem e outros pontos educacionais apoiados pelo Unicef. O ensino a distância continuará disponível para estudantes que não conseguem frequentar as aulas ou deixaram Gaza durante a guerra.
O retorno ocorre em condições ainda precárias, com falta de materiais escolares e dificuldades financeiras para muitas famílias. Segundo Ibrahim Ramadan, diretor de Educação de Khan Younis Oriental, cerca de 22 mil estudantes e mais de 770 profissionais da educação morreram durante o conflito, entre eles 532 professores.


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