O Ministério da Saúde identificou 12 municípios do Amazonas que precisam de apoio em seus serviços de saúde por causa das queimadas, em balanço divulgado nesta sexta, 16, mesmo dia em que Manaus voltou a ter a pior qualidade do ar entre as capitais do país.
A pasta monitora os impactos do fogo e da fumaça sobre a saúde da população e sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) na região. Trabalha ao lado do governo estadual e das prefeituras, por meio de visitas técnicas e apoio à gestão, para articular medidas preventivas que mantenham o abastecimento de insumos essenciais à assistência. Equipes da Força Nacional do SUS fazem, junto às autoridades sanitárias do estado e dos municípios, o diagnóstico da rede de atendimento, e o ministério também avalia o consumo de oxigênio nos territórios, entre eles os Distritos Sanitários Especiais Indígenas.
Como o SUS é descentralizado, cabe ao gestor local comprar insumos, controlar estoques e organizar a logística. Em situações de calamidade que coloquem vidas em risco, o ministério pode apoiar o abastecimento de itens como cilindros de oxigênio, com poder de compra emergencial ou com o apoio logístico das Forças Armadas.
Em Manaus, a plataforma IQAir mediu, por volta das 6h, índice de qualidade do ar de 167, na faixa insalubre. O resultado recolocou a cidade no primeiro lugar do ranking de capitais mais poluídas, depois de uma melhora no dia anterior. A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) também apontou agravamento em seu sistema de vigilância ambiental: na maior parte da cidade, o ar oscilava entre as categorias muito ruim e péssima. O bairro Aleixo, na zona centro-sul, teve concentração de 139,6 microgramas de partículas por metro cúbico, nível péssimo, enquanto o Tarumã, na zona oeste, registrava 39 microgramas por metro cúbico, nível moderado.
Como medida preventiva, as aulas presenciais da rede municipal foram suspensas na sexta, e a UEA interrompeu aulas e atividades acadêmicas presenciais em todas as unidades, na capital e no interior, nos três turnos. Parte das atividades administrativas da universidade passou a ser remota.
A fumaça sobre a capital vem de queimadas no interior do Amazonas e de estados vizinhos, entre eles Rondônia, Pará e Mato Grosso. As partículas podem permanecer suspensas por vários dias e ser carregadas pelo vento por longas distâncias, e a falta de chuva ajuda a manter os poluentes no ar. Entre os grupos que exigem atenção especial estão pessoas com doenças preexistentes, gestantes, idosos e crianças, e a fumaça pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares.
O governo do Amazonas decretou situação de emergência em cerca de 36 municípios no dia 10, em razão dos incêndios florestais. No combate ao fogo, o Ibama enviou ao estado 290 brigadistas federais e dispõe de aeronaves do governo. O Ministério do Meio Ambiente informou, com dados de quarta, 14, que o Ibama extinguiu 303 focos no Amazonas.
De acordo com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o ProAmazon, projeto de combate a incêndios e desmatamento no Amazonas, recebeu R$ 45 milhões do governo federal desde 2024. O dinheiro é destinado a equipar o Corpo de Bombeiros Militar do estado com viaturas, equipamentos de segurança e bases de operação.


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