A Nigéria confirmou o primeiro caso de ebola no país, em uma mulher que viajou de Uganda e passou por Abuja, e a França notificou à Organização Mundial da Saúde (OMS) o primeiro caso humano documentado do vírus Shamonda, que causou a morte de um paciente.
Os dois episódios ocorrem com o surto de ebola bundibugyo, originado na República Democrática do Congo, em expansão. Segundo a OMS, o número de infecções já superou 9.765 e ao menos 4.727 mortes foram notificadas em quase seis meses após os primeiros alertas, e a organização afirma que este é o surto de disseminação mais rápida da história. A OMS já o declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, intensificou a preparação e a vigilância em mais de 20 países da África e do Oriente Médio e desencoraja restrições a viagens ou ao comércio com os países afetados.
Em comunicado, o governo nigeriano informou que a paciente foi internada em um hospital privado de Abuja, onde recebeu atendimento por vários dias antes da confirmação do diagnóstico. Ela está isolada e recebe cuidados médicos. O ministro da Saúde, Muhamad Ali Pate, disse que “até o momento foram identificados 44 contatos próximos”, e as equipes de saúde pública trabalham para monitorar as pessoas que possam ter sido expostas. O governo também orientou todos os centros de saúde públicos e privados a permanecerem em estado de alerta máximo.
O governo nigeriano anunciou o caso na terça, 20, em comunicado. Uganda, de onde a mulher viajou, já havia registrado casos de ebola e chegou a ser declarada livre do vírus.
O Quênia continua registrando casos e confirmou uma morte ligada ao surto, o que levou as autoridades locais a adotar protocolos de quarentena e monitoramento. Na RD Congo, a doença chegou a uma oitava província, com dezenas de zonas de saúde afetadas, incluindo áreas próximas à fronteira com a República Centro-Africana. Um balanço das autoridades sanitárias congolesas de 20 de outubro citava mais de 9.000 casos e 4.381 mortes, abaixo dos números da OMS, sem que se saiba a data de referência de cada contagem.
Vírus Shamonda infecta humano na França
As autoridades sanitárias francesas informaram a infecção pelo vírus Shamonda em um paciente com imunodepressão severa, atendido nos Hospices Civils de Lyon, que morreu no início de outubro. De acordo com o governo francês, é o primeiro caso documentado do vírus em um ser humano, que até então era considerado não transmissível a pessoas. O paciente desenvolveu complicações cerebrais que as autoridades francesas relacionam à infecção.
Em Genebra, na sexta, 23, o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, disse que a agência mantém contato com a França para entender a fonte da infecção, as vias de transmissão e o risco à saúde pública. A OMS considera o episódio um caso isolado e afirmou que uma transmissão mais ampla é improvável no momento. O governo francês declarou que não há risco sanitário identificado para a população geral e que notificou a OMS e o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças.
A hipótese das autoridades francesas é de contaminação por picada de mosquito do gênero Culicoides, no Leste do país, e as investigações continuam. O Shamonda é encontrado sobretudo em animais de criação, como bovinos, ovinos, caprinos, equinos e alpacas, e acredita-se que seja transmitido por mosquitos-pólvora, mas a OMS diz que são necessários mais estudos sobre a transmissão. Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal, não há vacinas disponíveis comercialmente contra o vírus.
Pertencente ao grupo dos Orthobunyavirus, o Shamonda foi detectado pela primeira vez na Nigéria em meados dos anos 1960 e tem registro esporádico em bovinos na África e no Japão. No verão de 2026, foi identificado pela primeira vez na Europa, inclusive na França, em explorações bovinas. Já o surto de ebola na RD Congo, o 17º da história do país, começou em maio.


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