As emissões globais de gases de efeito estufa precisam cair 18% até 2030 para que o aquecimento seja limitado a um pico de 1,7°C a 1,8°C e volte a 1,5°C ou menos até 2100, segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Para chegar a esse caminho, as emissões também precisam cair 45% até 2035 e 69% até 2040, sempre na comparação com 2025. O cenário tem cerca de 50% de chance de se concretizar, segundo o relatório. O documento é a 17ª edição da série Emissions Gap Report, intitulada “The point of return” (“O ponto de retorno”), e se baseia no primeiro balanço global do Acordo de Paris.
Em declaração, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou: “Ultrapassar a meta não significa desistir. Ainda podemos mantê-la o mais pequena e curta possível – e trazer as temperaturas de volta para menos de 1,5 graus até o final do século.”
Os compromissos atuais, porém, não levam a esse caminho. Com a implementação integral das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), as emissões cairiam entre 5% e 8% até 2030 e entre 11% e 15% até 2035, em relação a 2025. Segundo o relatório, esse cenário deixaria o aquecimento em 2,6°C neste século, enquanto a trajetória atual poderia levar a 2,8°C.
Para chegar a 2,1°C neste século, o cenário pressupõe o cumprimento pleno das NDCs somado à restauração de biomas, que neutralizaria as emissões até 2050. Essa premissa não aparece no cenário de 2,6°C. Na prática, é preciso reduzir em média 5,7% ao ano entre 2025 e 2035.
O documento examinou mais de 220 avaliações de políticas aplicadas em todo o mundo. As políticas do setor elétrico reduziram as emissões em média 9%, enquanto instrumentos econômicos, a exemplo de impostos sobre carbono e mercados de emissões, cortaram entre 5% e 13%. O relatório também aponta a expansão das renováveis desde o Acordo de Paris como um dos pontos de virada.
Como exemplo do que pode ocorrer com o aquecimento, o relatório menciona a possibilidade de que um quarto das geleiras do planeta derreta. Isso faria o mar subir até 12,5 centímetros e comprometeria de modo duradouro o acesso à água potável em várias localidades.
A diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, afirmou: “Agora cabe às nações implementar urgentemente políticas que promovam reduções de emissões rápidas, profundas e sustentáveis, e que coloquem o mundo no caminho certo para um clima mais estável e para economias e sociedades mais estáveis.”





