O ministro da Educação, Leonardo Barchini, disse nesta quarta, 4, que o Pé-de-Meia universitário tem implementação prevista para 2027, com bolsa de R$ 700 por mês, durante 10 meses, e resgate final de R$ 10 mil, mais correção inflacionária, ao concluir a graduação em quatro anos.

Além da bolsa, o desenho inclui uma poupança mensal de R$ 250, também por 10 meses, com os valores retidos em poupança. Nesse formato, o total guardado chega a R$ 2,5 mil por ano. A contrapartida exigida, segundo o ministro, é permanecer na universidade e concluir o curso de forma integral, no tempo certo.

A nova etapa será voltada à permanência de estudantes do ensino superior inscritos no Cadastro Único e à conclusão de graduação em universidades públicas. Ao justificar a mudança, Leonardo Barchini, ministro da Educação (MEC), afirmou: “Como esse perfil de estudante mudou, precisamos dar outro tipo de assistência para que esse estudante permaneça”. Segundo ele, dois terços dos estudantes das universidades federais vêm hoje de escolas públicas; antes, a mesma proporção vinha da rede privada.

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No mesmo programa, o ministro anunciou que, a partir de 2027, a versão escolar do Pé-de-Meia será ampliada a todos os estudantes do ensino médio público. Segundo ele, em uma sala de aula, às vezes 20 estudantes recebem o benefício e quatro ou cinco não recebem. “Isso gerava uma competição adversa nesses estudantes e uma situação de iniquidade”, afirmou o ministro.

Ele disse que o estudo sobre a medida deve ficar pronto em 30 dias e que a implantação começa em março, com o início das aulas da rede pública. A versão escolar, criada em 2024, pode pagar até R$ 9,2 mil por beneficiário que cumprir critérios de frequência e conclusão.

Entre 2024 e 2026, o programa recebeu R$ 24 bilhões em investimentos federais, destinados a cerca de 7,4 milhões de estudantes de baixa renda do ensino médio público. Segundo o ministro, o abandono nessa etapa caiu 61% entre 2022 e 2025, e a reprovação, 62%.

Até aqui, o desenho do programa universitário vem apenas da entrevista do ministro, e esta apuração não localizou documento oficial, como portaria, decreto ou medida provisória. Também não há dados sobre valor total, fonte de recursos, número de beneficiários, critérios de renda e de curso ou o mês exato de início em 2027. Não se sabe se o calendário depende de aprovação orçamentária ou da condição ligada à promessa de campanha, e a fala do ministro não trata desse vínculo.

Antes do anúncio do MEC, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia prometido a versão universitária em 13 de outubro, durante a campanha de reeleição, em vídeo postado nas redes sociais. Na ocasião, ele condicionou a proposta a um eventual novo mandato. Lula afirmou que seriam depositados R$ 700 por mês, durante 10 meses, e R$ 2,5 mil ao final de cada ano de curso. Ao se formar, o estudante teria R$ 10 mil, segundo a fala dele. A forma de pagamento, porém, difere: o ministro falou em R$ 250 mensais retidos em poupança, e não em depósito anual. Os valores anuais coincidem, mas a apuração não confirmou se se trata do mesmo mecanismo.