A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou nesta quinta, 5, com outras cinco polícias civis, a Operação Azzardo contra uma rede de bets ilegais que, segundo a corporação, movimentou cerca de R$ 734 milhões. A Justiça do Distrito Federal autorizou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões, que alcança 64 pessoas físicas e 120 pessoas jurídicas.

Cerca de 200 policiais civis participam da ação, que envolve as polícias de cinco estados além do DF. No DF, a ação tem 24 mandados de busca e apreensão, concentrados em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia. No total, são 52 mandados, número que outra apuração apresenta como 50.

A investigação começou há cinco meses, a partir de comunicados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF), do Ministério da Fazenda, enviados à PCDF. Segundo a corporação, as plataformas de apostas de quota fixa operavam sem autorização federal e eram divulgadas em redes sociais e em resultados de buscas, como o Google.

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Segundo a PCDF, o dinheiro pago por apostadores às bets ilegais era direcionado a mais de 100 contas na fintech A55, com sede em São Paulo. Cerca de R$ 1 bilhão foi movimentado dessa forma, informou a corporação. O valor é superior aos R$ 734 milhões informados para o esquema inteiro, e as informações disponíveis não explicam a diferença. Outra apuração registra R$ 739 milhões como movimentação total.

Segundo o delegado Paulo Pereira, chefe da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), as empresas que recebiam os pagamentos eram de fachada. Uma tinha como endereço uma padaria. Outra estava registrada em uma residência, cuja moradora disse ter recebido R$ 200 para ceder seus dados.

Segundo a investigação, essas empresas foram constituídas entre fevereiro e julho de 2026 e declaram capitais sociais de mesmo valor. Seus endereços se concentram em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia. Nos endereços declarados, porém, os policiais encontraram imóveis desocupados e outros estabelecimentos comerciais. Em um só lote de Ceilândia, 10 empresas informavam o mesmo telefone. Pagamentos por Pix também foram direcionados a uma clínica de assistência psicossocial e a uma loja de tarô, ambas em Sobradinho, cujas atividades declaradas não têm relação com apostas.

Na mesma decisão, a Justiça suspendeu as inscrições de 100 empresas e empresários individuais no CNPJ e os registros nas juntas comerciais. Os investigados ficam proibidos de abrir novas contas bancárias por 90 dias. Além disso, a Justiça afastou o sigilo bancário e o fiscal de 82 pessoas físicas e de 83 pessoas jurídicas.

Segundo a PCDF, os investigados respondem por exploração de loteria não autorizada, de estelionato por fraude eletrônica, de lavagem de dinheiro, de falsidade ideológica e de organização criminosa. Somadas em abstrato, as penas previstas vão de 11 anos e 6 meses até 31 anos de prisão, e podem alcançar 33 anos caso a falsidade envolva documento público.

Sobre a fintech A55, a PCDF afirmou: “Esta instituição financeira, duas empresas do mesmo grupo e seus dirigentes são alvos das medidas de busca e bloqueio cumpridas na operação de hoje”.

Apostadores registraram boletins de ocorrência alegando não ter recebido o dinheiro das apostas. “Aparentemente estavam sendo vítimas de estelionato”, afirmou o delegado Paulo Pereira.

Segundo a PCDF, a fintech tinha autorização do Banco Central para operar como Sociedade de Crédito Direto (SCD). Em 30 de julho, porém, o Banco Central anunciou que pretendia cancelar a autorização de funcionamento da instituição. A restrição judicial atinge somente os recursos da própria sociedade, e as contas de clientes não investigados seguem preservadas. Até a publicação desta matéria, a empresa não se manifestou nas fontes consultadas.

As informações disponíveis não citam prisões, e a operação consiste em buscas, apreensões e bloqueios. Também não trazem o número de apostadores do Distrito Federal nem o valor apostado por moradores da capital.