O secretário de Estado americano Marco Rubio dirigiu-se nesta quarta, 20, diretamente ao povo cubano em vídeo gravado em espanhol, oferecendo uma “nova relação” entre os Estados Unidos e Cuba, com US$ 100 milhões em alimentos e medicamentos — enquanto o Departamento de Justiça anunciou acusações criminais contra o ex-presidente Raúl Castro, de 94 anos, baseadas no episódio de 1996 em que caças cubanos derrubaram duas aeronaves da organização de exilados Irmãos ao Resgate, matando os quatro tripulantes a bordo. O anúncio duplo coincidiu com o Dia da Independência de Cuba.
Em seu discurso, Rubio apontou o conglomerado militar cubano GAESA, estimado em controlar cerca de 40% da economia da ilha, como o principal responsável pelo empobrecimento da população, acusando a cúpula do regime de saquear bilhões de dólares enquanto os cubanos enfrentam falta de eletricidade, combustível e alimentos. A oferta de US$ 100 milhões em ajuda humanitária foi condicionada à distribuição pelo Igreja Católica ou por outros grupos de caridade confiáveis, para evitar que os recursos sejam desviados pelo governo. Cuba já havia recusado uma proposta semelhante anteriormente, segundo o próprio Rubio.
A mensagem de Rubio foi apresentada como uma oferta de “novo caminho” para os cubanos, com a promessa de que os Estados Unidos apoiam uma Cuba onde a população possa escolher livremente seus governantes. Em resposta, a Embaixada cubana nos EUA rejeitou as declarações do secretário, afirmando que Washington submete o povo cubano a uma “agressão cruel e implacável” e que as acusações feitas por Rubio são falsas.
A crise atual em Cuba foi agravada pela derrubada do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças americanas no início de 2026, o que interrompeu o fornecimento de petróleo venezuelano à ilha. Os EUA passaram a bloquear navios-tanque com destino a Cuba em fevereiro, ameaçando com sanções países como o México, cuya estatal Pemex abastecia parte da demanda cubana. O resultado foi uma deterioração acelerada da já frágil economia da ilha, com apagões frequentes e desabastecimento generalizado.
Raúl Castro formalmente deixou a liderança do Partido Comunista cubano em 2021, mas ainda é amplamente considerado uma das figuras mais influentes do regime. O presidente atual de Cuba é Miguel Díaz-Canel. O indiciamento americano representa a escalada mais direta da campanha do governo Trump em busca de mudança de regime na ilha, onde os comunistas governam desde a revolução liderada por Fidel Castro em 1959.


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