Irã isenta navios de taxas no Estreito de Ormuz por 60 dias após acordo com os EUA

A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), órgão iraniano responsável pela gestão da principal rota marítima de escoamento de petróleo do mundo, confirmou nesta sexta, 19, que suspenderá todas as cobranças de pedágio para embarcações comerciais durante o período de negociação previsto no Memorando de Entendimento de Islamabad, firmado entre Teerã e Washington na última semana. O documento, intitulado “Memorando de Entendimento de Islamabad entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã”, foi divulgado oficialmente pelo governo americano na quarta, 17, e detalha medidas para a reabertura do Estreito de Ormuz, o alívio de determinadas restrições financeiras ao Irã e estabelece expectativas para tratar do programa nuclear iraniano em futuras negociações técnicas.

A isenção abrange as taxas de segurança, proteção, serviços ambientais e seguros por 60 dias. Em contrapartida, as embarcações interessadas em utilizar o canal deverão solicitar autorização de trânsito com pelo menos 48 horas de antecedência, além de coordenar previamente rotas e horários com as autoridades iranianas, exigência justificada pela presença de campos minados na região e pela necessidade de garantir a segurança da navegação.

O acordo prevê também que, em contrapartida à reabertura do estreito, os Estados Unidos suspenderão sanções contra o Irã, sem eliminá-las completamente, abrindo caminho para o retorno iraniano ao mercado global de petróleo. O pacto ainda cria um fundo de US$ 300 bilhões destinado à reconstrução do Irã, embora o financiamento da iniciativa ainda dependa do avanço das negociações nas próximas semanas.

No campo diplomático, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, reafirmou que o fim da guerra no Líbano integra os termos do acordo e que o Irã adotará todas as medidas necessárias para proteger seus interesses, sua segurança e seus aliados na região. Teerã também condenou os ataques israelenses ao território libanês e responsabilizou diretamente os Estados Unidos pela escalada do conflito. O texto do memorando prevê o recuo das tropas israelenses do sul do Líbano, cláusula que o governo de Israel, no entanto, rejeita cumprir.

O Estreito de Ormuz é considerado o ponto de passagem marítima mais estratégico do planeta. Localizado entre as costas do Irã e de Omã, o canal concentra aproximadamente 20% do comércio mundial de petróleo, com quase 15 milhões de barris diários de petróleo bruto e condensado em trânsito, além de 8 milhões de barris de derivados. Qualquer interrupção em sua operação gera impacto imediato nos mercados globais de energia.

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