Depois de uma das noites mais violentas desde o início do conflito no Líbano, Israel e o grupo xiita Hezbollah anunciaram nesta sexta, 19, um cessar-fogo, com vigência a partir das 16h (horário local), o que equivale às 10h no horário de Brasília. A confirmação veio de um alto funcionário do governo dos Estados Unidos à agência Reuters, sob condição de anonimato, revelando que as negociações foram conduzidas por representantes americanos e do Catar, com apoio do Irã.
A trégua foi alcançada em meio a uma escalada que ameaçou desestabilizar o entendimento diplomático mais amplo firmado entre Washington e Teerã. Na madrugada anterior ao anúncio, ataques aéreos israelenses mataram pelo menos 18 pessoas no Líbano, de acordo com o Ministério da Saúde libanês, enquanto quatro soldados israelenses perderam a vida no sul do país, um dos episódios mais letais do Hezbollah na guerra. A escalada também levou ao adiamento das conversas entre Estados Unidos e Irã que estavam previstas para esta sexta-feira na Suíça, no âmbito do entendimento provisório entre as duas potências.
Um parlamentar do Hezbollah havia declarado anteriormente que o Irã comunicou ao grupo que as negociações com Washington não poderiam avançar enquanto um cessar-fogo abrangente no Líbano não fosse implementado, evidenciando a ligação direta entre as frentes diplomática e militar do conflito. O memorando de entendimento firmado na quarta-feira entre EUA e Irã exige que todas as partes declarem o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o território libanês.
Cessar-fogos anteriores entre Israel e Hezbollah, firmados em diferentes momentos durante a guerra, não se sustentaram. Após o anúncio da trégua desta sexta-feira, Israel lançou novos bombardeios contra áreas de Nabatieh e outras regiões, acusando o Hezbollah de cometer violações flagrantes do acordo. O Exército israelense informou ter atacado também alvos no Vale do Bekaa, no leste do Líbano, mantendo pressão militar mesmo com a trégua formalmente em vigor.
O conflito no Líbano já acumula um saldo humanitário devastador. Mais de 3.500 pessoas foram mortas no país e mais de 1,2 milhão foram deslocadas de suas casas. Do lado israelense, 27 soldados e três civis perderam a vida desde o início das hostilidades.


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