Destroços de cargueiro da K2 Airways são localizados no Mar Arábico; busca por cinco tripulantes continua

Equipes de resgate paquistanesas localizaram os destroços de um Boeing 737 de carga da K2 Airways nesta quarta, 8, cerca de 12 horas depois que a aeronave desapareceu do radar durante um voo entre Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, e Karachi, no Paquistão. Os destroços foram encontrados a 53 milhas náuticas (98 km) ao sul do porto de Ormara, segundo a Autoridade Aeroportuária do Paquistão, mas os cinco tripulantes a bordo seguem desaparecidos.

A aeronave operava o voo KTA1732 e reportou um problema no sistema de navegação às 21h18 (horário do Paquistão), sendo orientada pelo Centro de Controle de Área de Karachi. Três minutos depois, o radar mostrou o avião em descida rápida com mudança brusca de direção, e o contato foi perdido cerca de 155 milhas náuticas (287 km) a oeste de Karachi. Dados do Flightradar24 mostram que, nos instantes finais, a aeronave despencou cerca de 5.000 pés em menos de um minuto, subiu 6.000 pés em 30 segundos e depois entrou em um mergulho a partir de 36.550 pés, com uma taxa de descida final de cerca de 400 km/h, padrão classificado como extremamente anormal por especialistas em aviação.

A K2 Airways confirmou a identidade dos cinco tripulantes: o comandante Muhammad Rizwan Idris (ou Idrees, segundo grafias divergentes entre veículos), o copiloto Faisal Jatoi (também citado como Faisal Mehmood), o encarregado de carga Muhammad Taufiq Khan e os engenheiros Muhammad Hamid e Muhammad Arif Siddiqui. A empresa afirmou estar cooperando com a Autoridade de Aviação Civil do Paquistão e outros órgãos governamentais, e disse manter “orações sinceras” pela segurança da equipe. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif expressou pesar pelo que classificou como acidente trágico e determinou a mobilização de todos os recursos disponíveis para as buscas.

A Marinha do Paquistão enviou a fragata PNS Zulfiqar, além de uma aeronave SAAB da Força Aérea e um turboprop ATR da própria Marinha, enquanto um navio da Pakistan National Shipping Corporation também auxilia a operação. Segundo autoridades ouvidas pela Associated Press, os destroços principais da aeronave ainda não foram localizados e podem exigir equipamento especializado de resgate em águas profundas — a região de busca chega a cerca de 3.000 metros de profundidade, o que deve tornar a recuperação de dados como as caixas-pretas um processo longo e tecnicamente complexo. Investigadores alertam ainda que os destroços encontrados na superfície podem ter se deslocado do ponto real de impacto por causa de correntes marítimas.

A aeronave era um Boeing 737-400 com cerca de 27 anos de uso, duas gerações anterior ao 737 MAX, e utilizava motores CFM56-3 da CFM International, joint venture entre GE Aerospace e a francesa Safran. Entregue originalmente à companhia russa Aeroflot em 1999, o avião também operou pela Garuda Indonesia antes de ser convertido em cargueiro em 2012, passando por diversos proprietários até ser incorporado à frota da K2 Airways em 2024, endo a única aeronave operada pela companhia paquistanesa. Segundo a Al Jazeera, o caso, caso confirmada a fatalidade, seria o primeiro acidente fatal da aviação no Paquistão desde 2020, quando um Airbus A320 da Pakistan International Airlines caiu em Karachi, matando 97 pessoas.

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