A colheita de soja do Brasil, maior produtor e exportador global da oleaginosa, foi projetada nesta sexta, 17, em um recorde de 180,1 milhões de toneladas para o ciclo 2026/27, alta de 0,98% sobre a safra anterior, segundo levantamento da consultoria Safras & Mercado. O crescimento discreto reflete margens mais apertadas para o produtor e cautela redobrada diante do fenômeno climático El Niño, que já teve seus primeiros sinais confirmados pela agência americana NOAA no Oceano Pacífico Equatorial.
A área cultivada deve crescer 1,2% na comparação anual, para 49,1 milhões de hectares, com plantio previsto para começar em meados de setembro. Segundo o analista da Safras & Mercado Rafael Silveira, a intenção de plantio da nova safra aponta desafios, mas ainda mantém perspectiva de aumento de produção, desde que não haja problemas climáticos relevantes decorrentes do El Niño. A consultoria também identifica maior atratividade do plantio de soja em relação ao milho na safra de verão do centro-sul, o que favorece o avanço da oleaginosa sobre o cereal.
Apesar de leve queda esperada na produtividade média, projetada em 3.686 kg por hectare, ante 3.692 kg no ciclo anterior, Silveira explica que as produtividades elevadas das últimas safras melhoraram a relação entre custos e receitas, mantendo a atividade economicamente viável e sustentando o aumento de área, mesmo que modesto. Os custos de produção elevados, puxados pela alta dos fertilizantes no primeiro semestre, podem levar parte dos produtores a reduzir investimento em tecnologia e manejo, o que tende a limitar ainda mais o potencial produtivo da safra.
A projeção da Safras & Mercado é mais conservadora que a de outras casas: o USDA estimou em junho a produção brasileira em 186 milhões de toneladas, enquanto o Itaú BBA projeta 182,4 milhões de toneladas para o mesmo ciclo. Analistas do banco já apontam que um El Niño mais intenso, classificado por parte do mercado como um dos mais fortes das últimas décadas, poderia reduzir a produção em até 5 milhões de toneladas somente no Mato Grosso, risco que ainda não estaria totalmente precificado pelo mercado.


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