Quase metade dos municípios avaliados está em alerta ou risco

Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue
FOTO: DIVULGAÇÃO

Na quarta, 7, o Ministério da Saúde divulgou o balanço do 2º ciclo de 2026 do LIRAa, sigla de Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti: 49,2% dos 3.732 municípios do país que enviaram dados ficaram em situação de alerta ou risco para a presença do mosquito.

A coleta ocorreu de maio a agosto de 2026. O levantamento estima a proporção de imóveis com larvas e identifica os principais tipos de criadouros, o que permite aos gestores locais direcionar as ações de vigilância, prevenção e controle de acordo com a situação de cada município.

Pelo índice de infestação predial, a faixa satisfatória corresponde a menos de 1% dos imóveis com larvas, o alerta fica entre 1% e 3,9%, e o risco começa acima de 3,9%. Na amostra nacional, 50,9% dos municípios ficaram na faixa satisfatória, 40,9% em alerta e 8,3% em risco. Os dados não detalham a situação do Distrito Federal nem dos municípios do Entorno.

Vasos, pratos de plantas, garrafas e outros recipientes capazes de reter água representaram 42,3% dos criadouros encontrados. Reservatórios destinados à água, a exemplo de caixas d’água e tonéis, corresponderam a 26,1%; pneus e resíduos sólidos, categoria que inclui garrafas PET, latas e entulho, somaram 23%.

O padrão dos criadouros muda entre as regiões. No Norte, pneus e resíduos sólidos são predominantes; no Nordeste, destacam-se recipientes usados para guardar água; já no Sudeste, no Sul e no Centro-Oeste, aparecem sobretudo vasos e pratos para plantas, garrafas e outros recipientes domésticos.

Com o verão se aproximando e sob condições climáticas associadas ao El Niño, o Ministério da Saúde diz que os resultados ajudam estados e municípios a se preparar para a fase de maior risco de proliferação do mosquito. Para reduzir criadouros, o órgão recomenda esvaziar recipientes, descartá-los ou protegê-los da chuva; caixas d’água, tonéis e cisternas devem ficar fechados, e garrafas e baldes, virados para baixo, enquanto calhas e ralos precisam permanecer limpos.

Em 2026, os casos prováveis de dengue caíram cerca de 70% em relação ao período correspondente de 2025, segundo o Ministério da Saúde. Até 26 de setembro, o país contabilizou 470,5 mil casos prováveis, ante 1,5 milhão no mesmo recorte do ano anterior.

O levantamento funciona como uma metodologia simplificada para produzir indicadores entomológicos rapidamente e mostrar como o Aedes aegypti se distribui. Entre os dados gerados estão o percentual de imóveis positivos, chamado índice predial; a proporção de depósitos positivos, conhecida como índice Breteau; e o recipiente mais frequente entre os focos. A participação é parcial: 67% dos 5.571 municípios brasileiros aderem ao levantamento.

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