Emissões líquidas do Brasil caem ao menor nível desde 2012

Área de floresta brasileira com trecho desmatado vista do alto. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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As emissões líquidas de gases de efeito estufa do Brasil somaram 1,41 bilhão de toneladas de CO2 equivalente em 2025, o menor valor desde 2012, segundo a 14ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), divulgada na quarta, 21, pelo Observatório do Clima. O levantamento é de uma entidade não governamental e não corresponde a um relatório do governo federal.

O principal fator foi a queda do desmatamento. No setor de mudança de uso da terra, as emissões brutas recuaram 15%, de 957 para 814 milhões de toneladas, e as líquidas, que descontam o carbono absorvido pela vegetação e pelas florestas em áreas protegidas, caíram 48%, de 311 para 162 milhões de toneladas, o menor valor da série do Seeg. O recuo atingiu todos os biomas: as emissões associadas à perda de vegetação caíram 45% no Pantanal, 21% no Pampa, 20% na Amazônia, 18% na Caatinga e 5% tanto no Cerrado quanto na Mata Atlântica.

Sem o desconto da absorção de carbono, as emissões brutas chegaram a 2,06 bilhões de toneladas, queda de 6% sobre os 2,19 bilhões de 2024 e o menor volume desde 2018. Os dois índices medem coisas diferentes: os 6% se referem às emissões brutas, e a queda de 9% das líquidas, apontada pelo Seeg, é a que serve de base para o recorde de menor valor desde 2012.

Os demais setores não acompanharam o resultado. A agropecuária ficou praticamente estável, com queda de 0,1%, para 626 milhões de toneladas, enquanto as emissões de energia subiram 1,2%, de 422 para 427 milhões, impulsionadas principalmente pelo maior consumo de combustíveis nos transportes, que responderam por 228 milhões de toneladas. Na geração de eletricidade, a alta foi de 6%, apesar da expansão das fontes renováveis. Os resíduos tiveram a maior alta percentual, de 3,6%, de 92 para 96 milhões de toneladas, e os processos industriais e uso de produtos subiram 0,2%, mantendo 94 milhões.

Apesar da queda, o país não cumpriu a meta climática para 2025, que previa limitar as emissões líquidas a 1,32 bilhão de toneladas. De acordo com o Seeg, o excedente em relação ao compromisso foi de 85 milhões de toneladas, o equivalente a cerca de 6%. “Infelizmente a gente ficou ainda um pouco acima, mas bem próximo da meta”, afirmou David Tsai, coordenador do Seeg e pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema).

Tsai também chamou o resultado de “um feito digno de nota”, porque nos 13 anos anteriores, desde a Política Nacional do Clima, de 2009, as emissões do país haviam crescido em dois terços. Ele ressalvou, porém, que “se os outros setores, a partir de agora, não começarem a reduzir as suas emissões vai ficar difícil a gente conseguir cumprir as próximas metas da NDC”, como é chamada a contribuição nacionalmente determinada do Brasil no acordo do clima. Em outra declaração, afirmou: “Preocupa que nosso desempenho climático ainda dependa tanto de um só setor, o de uso da terra”.

Para Bárbara Zimbres, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), a redução observada nos últimos três anos no setor “reflete os resultados positivos das políticas de controle do desmatamento no Brasil”.

Na composição das emissões brutas de 2025, a mudança de uso da terra responde por 39% do total, as emissões diretas da agropecuária por 30%, a energia por 21%, e os processos industriais e os resíduos por 5% cada. Dentro da agropecuária, o gado de corte responde por cerca de 66% das emissões diretas, com o metano da digestão dos bovinos como principal origem, embora o rebanho tenha diminuído 1,7%, para 234,2 milhões de animais.

Segundo o Seeg, menos de 3% dos resíduos brasileiros foram recuperados por reciclagem em 2025, e aterros, aterros controlados e lixões respondem por 65% das emissões do setor. O sistema também informa que as emissões de queimadas não ligadas diretamente ao desmatamento caíram após o recorde de 2024, mas elas são calculadas separadamente e não entram na metodologia oficial do Inventário Nacional de Emissões.

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