O dólar comercial fechou a sexta, 23, cotado a R$ 4,993, em queda de 0,92%, no último pregão antes do segundo turno da eleição presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para domingo, 25.
O valor abaixo de R$ 5 refere-se à cotação à vista de mercado. Pela PTAX, taxa de referência calculada pelo Banco Central, o dólar de 23 de outubro foi de R$ 5,0374, praticamente estável diante dos R$ 5,0380 de quinta, 22. A queda semanal de 1,58% também se refere à cotação à vista; na série da PTAX, a taxa passou de R$ 5,0823, em 16 de outubro, para R$ 5,0374, o que representa recuo de cerca de 0,88%.
Na reta final do pregão, a moeda chegou à mínima de R$ 4,989. O fechamento é o menor desde 9 de outubro, quando o dólar terminou em R$ 4,985, e ocorreu em meio ao ajuste de posições de investidores diante das expectativas para o resultado da eleição. No pregão seguinte ao primeiro turno, em 6 de outubro, a moeda havia fechado em R$ 4,975, em queda de 0,55% e no menor valor de fechamento desde 12 de maio.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, subiu 0,47% e terminou aos 205.082,56 pontos, com volume financeiro de R$ 30,7 bilhões. Apesar do avanço do dia, o índice acumulou queda de 0,17% na semana e alta de 10,06% em outubro. O fechamento compara-se aos 178.000 pontos de 3 de agosto. A Bolsa havia fechado acima de 200 mil pontos pela primeira vez no pregão seguinte ao primeiro turno, depois que a vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula ficou acima da esperada.
No mercado de petróleo, o Brent para dezembro subiu 3,13% e fechou a US$ 116,72 por barril, o maior nível desde abril, em meio a tensões no Oriente Médio. O WTI, referência americana, avançou 3,82%, a US$ 103,27. Na semana, os contratos para dezembro do Brent e do WTI acumularam altas de 6,24% e 4,29%, respectivamente.
O Irã advertiu que poderá responder a novos ataques dos Estados Unidos e de Israel com ofensivas contra bases militares e navios de guerra em países vizinhos no Golfo Pérsico, e confrontos entre houthis e Arábia Saudita ampliaram a preocupação com a segurança regional. Nos Estados Unidos, o Departamento de Energia autorizou medidas com a Reserva Estratégica de Petróleo para ajudar a estabilizar o abastecimento de combustíveis.
A menos de dois dias da votação, a euforia dos investidores deu lugar à cautela, de acordo com analistas do mercado. Ricardo Pompermaier, estrategista-chefe da Davos Investimentos, avalia que uma vitória de Flávio tende a dar continuidade à melhora dos ativos brasileiros, enquanto a reeleição de Lula provocaria abertura da curva de juros, queda da Bolsa e alta do dólar. Luccas Fiorelli, planejador financeiro, estima que o Ibovespa poderia sofrer correção de 15% a 20% nesse cenário.
“Acho que existe uma chance de ter uma correção muito mais forte se o Lula ganhar, uma reação que vai pegar o mercado bem de surpresa”, afirmou Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos.
Pesquisa do Citi com 73 gestores de fundos de ações e multimercados indica expectativas na mesma direção. Se Flávio vencer, 49,3% esperam alta superior a 5% do Ibovespa e 78,1% projetam valorização do real de 2% a 5%. Se Lula for reeleito, 80% preveem queda da Bolsa superior a 5% e 63% esperam desvalorização do real acima de 5%.


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