Um adolescente de uma escola do Distrito Federal recebeu, em grupo de WhatsApp de estudantes, um áudio com ameaça de morte que menciona o voto dele em Lula. A mensagem foi enviada durante a apuração do segundo turno da eleição presidencial.
Segundo o relato, a ameaça veio ainda durante a contagem dos votos, no momento em que Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a liderança. Na mensagem, o autor, não identificado, diz: “Eu juro que amanhã se você for para a escola você não volta vivo”. O conteúdo das mensagens não pôde ser verificado de forma independente.
A diretora da escola informou à mãe do adolescente que quem enviou os áudios foi transferido. Ainda segundo a mãe, o colega que concordou com as mensagens foi suspenso por quatro dias. A escola não confirmou a informação, e a reportagem não a ouviu. A família ainda não fez boletim de ocorrência, com receio de que o adolescente seja exposto ou sofra represálias.
Por causa das agressões, o adolescente passou a semana sem ir à escola e teme voltar na próxima segunda. Ao falar sobre o caso, a mãe afirmou: “A ideologia está afetando o discernimento dos jovens. Os adultos não conseguem lidar com as frustrações e ficam violentos e os jovens acabam absorvendo isso, transformam também a frustração em ódio”.
Ainda de acordo com a reportagem, o autor das mensagens também fez ofensas de intolerância religiosa contra colegas. Em outra mensagem do mesmo grupo, um estudante escreveu que, se Flávio Bolsonaro perdesse, iria espancar outros cinco colegas, e completou: “só na faca”. O autor dessa mensagem também não foi identificado.
Não há confirmação independente do caso, que aparece em um único relato. Até o fechamento desta matéria, nenhuma manifestação oficial da Secretaria de Educação do Distrito Federal foi localizada nas fontes consultadas. Nenhuma fonte informa se a Polícia Civil do Distrito Federal foi acionada, nem se o Conselho Tutelar foi informado, e a escola não foi ouvida.
O caso acontece em meio a relatos de violência ligada a opções políticas de jovens e de pais. Na semana anterior à publicação, casos que iam de ofensas verbais a ameaças de morte vinham sendo relatados nas redes sociais. Após o primeiro turno, estudantes de universidades de outros estados receberam ameaças. Com isso, as instituições reforçaram a segurança, e o Ministério da Educação (MEC) pediu o acionamento da Polícia Federal (PF). Esses casos não têm relação com o episódio do Distrito Federal.




