O governo federal anunciou no sábado, 31, a ampliação do efetivo da Força Nacional em Mato Grosso do Sul para proteger aldeias Guarani Kaiowá ameaçadas após o 2º turno das eleições. A medida foi apresentada durante visita de ministros às aldeias na fronteira com o Paraguai.
A visita reuniu os ministros Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública), Eloy Terena (Povos Indígenas) e Janine Mello (Direitos Humanos), que estiveram nas aldeias Sassoró, em Tacuru, e Taquapery, em Coronel Sapucaia. A pasta dos Direitos Humanos informou que o Programa de Proteção ficará disponível às vítimas dos episódios citados. Até agora, contabiliza mais de 80 indígenas do estado já incluídos no programa.
Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, o reforço inclui o procedimento chamado “Minuto a Minuto”. Pelo programa, a Força Nacional fica no terreno, na área de operações, para se deslocar a qualquer ocorrência com aparência criminosa ou severa. A Força Nacional é acionada pela Polícia Federal, pela Polícia Rodoviária Federal ou pelas forças estaduais. Wellington César Lima e Silva afirmou que o programa registrará por imagem e detecção o tipo de ocorrência e, sempre que possível, indicará autoria e materialidade.
Uma ameaça de envenenamento da água tem como alvo a aldeia Sassoró, segundo um áudio que se espalhou por grupos de mensagens em Tacuru. Eloy Terena informou que os suspeitos já foram ouvidos pela Polícia Federal. Segundo ele, a vigilância sobre a qualidade da água na região será reforçada, e a análise do caso é preliminar.
Eloy Terena disse que o ministério recebeu 10 casos após triagem, dos quais quatro em Mato Grosso do Sul. Já a entidade Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) contabiliza mais de 30 casos de denúncias de violência contra indígenas no estado após o 2º turno. Os números não são comparáveis, pois a entidade reúne denúncias, enquanto o ministério trabalha com casos depois de filtragem.
Ao comentar as ocorrências, Eloy Terena disse que “apenas esse caso do envenenamento que tem uma ligação direta com crime político”. Os relatos de atropelamentos seguem sob apuração, sem motivação política estabelecida, e não foram descartados.
A comitiva foi à região depois que denúncias de violência contra indígenas repercutiram nas redes sociais. Os casos surgiram após o 2º turno, que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).




