Parlamentares governistas intensificaram nesta segunda, 2, a pressão sobre o mercado financeiro e o Banco Central por um corte da Selic, hoje em 13,75% ao ano. A ofensiva ocorre antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 3 e 4 de novembro.

A pressão vem depois de uma semana de forte reação do mercado à vitória de Lula na eleição presidencial. O Ibovespa, principal índice da B3, teve a pior semana desde março de 2020, com queda de 18,12%. O dólar subiu 9,04%, a maior alta desde a crise financeira global de 2008, e fechou a R$ 5,44.

Antes da eleição, a aposta era de corte de 0,25 ponto percentual na Selic. Desde a vitória de Lula, parte do mercado passou a rever essa possibilidade, por causa da incerteza fiscal sobre o novo mandato. A ausência de anúncios de medidas de ajuste de gastos e de nomes para a nova equipe econômica é apontada como fator que reforça a cautela. Após o segundo turno, cresceu o número de bancos e analistas que esperam a manutenção da taxa em 13,75%, embora a mediana das estimativas ainda aponte um corte.

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Em postagem na rede social X, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que “estão fazendo política e sabotando a nossa economia”. Ele criticou a mudança nas projeções de analistas para a Selic após o segundo turno, disse que a taxa não deve ser decidida pelo “humor do mercado financeiro” e cobrou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

A deputada Gleisi Hoffmann (PR), ex-presidente do PT, publicou na manhã de segunda, 2, um texto com críticas ao mercado financeiro na rede social X. O deputado Zeca Dirceu (PT-PR) afirmou em redes sociais que “os juros têm que baixar, mas não pode ser na marra”, e que os bilionários irão pagar a conta.

Em declaração no domingo, 1, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que “Propostas como tabelar os juros ou queimar reservas cambiais não estão em avaliação”. Ele negou que o governo estude tabelamento de juros ou uso de reservas para segurar o câmbio e também negou um encontro entre Lula e o economista André Lara Resende.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, criticou em nota “especulações na área econômica” e disse que apenas Durigan pode falar pelo governo nessa área. Já o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa afirmou, em entrevista recente, que o setor financeiro tem muita especulação e busca de ganhos fora do comum.

O economista André Lara Resende criticou a política monetária do Banco Central em artigo publicado em 25 de setembro, e também questionou a prioridade dada às despesas primárias. Ele propôs reduzir a Selic gradualmente, ao longo de cerca de 12 meses, até cerca de 7,5% ao ano, além da criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra, afirmou acreditar em um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de novembro e não vê interrupção do ciclo de cortes. “Eu acredito em um corte de 0,25 ponto percentual”, disse.

Depois da decisão de novembro, o próximo encontro do colegiado está marcado para 8 e 9 de dezembro, o último de 2026. Antes, em setembro, o Copom já havia reduzido a Selic em 0,25 ponto percentual.