O resultado das contas públicas brasileiras voltou a registrar saldo negativo em fevereiro, refletindo principalmente o déficit do governo federal, parcialmente compensado pelo desempenho positivo de estados e municípios. Apesar de uma melhora na comparação anual, os números ainda indicam pressão fiscal e crescimento da dívida pública, fatores que seguem no radar de investidores e agências de classificação de risco.
De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, o setor público consolidado, que reúne União, estados, municípios e empresas estatais, registrou déficit primário de R$ 16,4 bilhões em fevereiro. O resultado representa uma redução em relação ao mesmo mês de 2025, quando o rombo foi de R$ 19 bilhões. O resultado primário corresponde à diferença entre receitas e despesas do governo, sem considerar o pagamento dos juros da dívida.
No acumulado de 12 meses encerrados em fevereiro, o setor público apresenta déficit primário de R$ 52,8 bilhões, equivalente a 0,41% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2025, o resultado anual também foi negativo, com déficit de R$ 55 bilhões, o que correspondeu a 0,43% do PIB, mantendo o país em trajetória de resultado fiscal deficitário.
O principal impacto nas contas de fevereiro veio do Governo Central, que engloba Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, com déficit primário de R$ 29,5 bilhões, pressionado por despesas com o programa Programa Pé-de-Meia e reajustes salariais do funcionalismo. Já os governos regionais registraram superávit de R$ 13,7 bilhões, ajudando a reduzir o déficit consolidado do setor público.
As empresas estatais, por sua vez, contribuíram negativamente para o resultado, com déficit de R$ 568 milhões em fevereiro, considerando as estatais federais, estaduais e municipais, excluindo os grupos Petrobras e Eletrobras. No mesmo mês do ano passado, essas empresas haviam registrado superávit, o que evidencia piora no desempenho dessas companhias.
Os gastos com juros da dívida pública somaram R$ 84,2 bilhões no mês, elevando o déficit nominal, que inclui o resultado primário e os juros, para R$ 100,6 bilhões em fevereiro. No acumulado de 12 meses, o déficit nominal chega a R$ 1,1 trilhão, equivalente a 8,48% do PIB, indicador considerado essencial por investidores para avaliar a capacidade de endividamento do país.
A dívida líquida do setor público atingiu R$ 8,4 trilhões em fevereiro, o equivalente a 65,5% do PIB, enquanto a dívida bruta do governo geral chegou a R$ 10,2 trilhões, ou 79,2% do PIB. O avanço da dívida foi influenciado pelo déficit primário, pelos juros e pela valorização cambial no período, mantendo o endividamento brasileiro em patamar elevado na comparação internacional.


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