Missão da ONU registra 328 civis mortos na Ucrânia em setembro

A Missão de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia contabilizou ao menos 328 civis mortos e 2.105 feridos no país em setembro, em meio à intensificação dos ataques russos, segundo a atualização mensal divulgada na sexta, 16.

Segundo a missão, a escalada dos ataques causou mortes em níveis recordes, e os danos à infraestrutura de energia agravam a vulnerabilidade das famílias ucranianas às vésperas do inverno. O número total de vítimas representa alta de 85% em relação a setembro do ano passado.

Houve mortos e feridos em 22 regiões do país. Kyiv teve número particularmente alto de vítimas, com mortes registradas em 22 dos 30 dias do mês, a maior frequência em qualquer mês desde o início da invasão em larga escala, em fevereiro de 2022. Kherson, Kharkiv, Sumy e Zaporizhzhia também tiveram comunidades fortemente atingidas por ataques russos.

Entre os números confirmados, 18 civis morreram e 44 ficaram feridos em território ucraniano ocupado pela Rússia. Danielle Bell, responsável pela missão, alertou que o total real de vítimas pode ser significativamente maior. Ela afirmou ainda que as duas primeiras semanas de outubro estiveram entre as fases mais letais para a população civil nos últimos anos, com ofensivas russas que provocaram, em poucos dias, incidentes com muitas vítimas em Kharkiv, Zaporizhzhia, Kramatorsk e Kyiv.

Segundo a ONU, a Rússia voltou a intensificar os ataques à infraestrutura de energia em toda a Ucrânia. Em 13 e 14 de outubro, três centrais elétricas da região da capital foram atingidas por forças russas e, de acordo com autoridades ucranianas, 600 mil pessoas ficaram temporariamente sem energia. A organização registra ainda que as Forças Armadas da Ucrânia fizeram cerca de 80 ataques com drones a instalações elétricas e de aquecimento, tanto na Rússia quanto em áreas sob ocupação.

Para Bell, a continuação dos ataques sistemáticos à infraestrutura energética causará sofrimento significativo à população civil com a chegada do inverno. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) calcula que cerca de 3,6 milhões de pessoas seguem deslocadas dentro do país, e que cerca de 3,8 milhões já voltaram para casa depois de deslocadas desde fevereiro de 2022.

Segundo a OIM, apenas 32% das famílias dizem conseguir aquecer adequadamente a casa, índice que cai para 25% perto da linha de frente. Arthur Erken, diretor regional da organização, disse que a margem para agir diminui e que é necessário apoio adicional antes do inverno.

Incidentes com muitas vítimas em Kramatorsk, no leste do país, estão entre os citados pela missão; a reportagem sobre o ataque traz mais detalhes. Mais notícias sobre o tema estão na página de Internacional/Mundo.

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