Cerca de 7 milhões de israelenses votam nesta terça, 27, na primeira eleição nacional desde que o Hamas atacou Israel, em 7 de outubro de 2023, e podem encerrar os 19 anos de Benjamin Netanyahu no poder à frente do Likud.
O resultado só deve sair no fim da quarta, 28, porque a votação é feita em cédula de papel. A lei proíbe os institutos de divulgar novas pesquisas até as urnas fecharem, às 22h no horário local desta terça, quando os principais deles publicam as projeções de boca de urna.
Três partidos liderados por candidatos de perfil linha-dura em segurança e defesa são apontados como favoritos a formar o governo. Além do Likud, de Netanyahu, disputam o posto Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, que lidera o Yashar (Íntegro), partido criado em 2025, e Naftali Bennett, primeiro-ministro de 2021 a 2022, à frente da coalizão Juntos (Beyahad). Eisenkot fez parte do gabinete de guerra criado depois do ataque do Hamas, mas saiu do governo criticando a forma como a operação militar em Gaza era conduzida. Nenhum dos três admite um Estado palestino e todos defendem desarmar o Hamas, mas discordam entre si quanto à ampliação dos assentamentos na Cisjordânia.
Israel é parlamentarista, e os partidos mais votados precisam reunir maioria para formar o gabinete. O Knesset, o Legislativo do país, tem 120 cadeiras, e o bloco de direita e religioso de Netanyahu precisa de ao menos 61 para uma “vitória absoluta”. A maioria das pesquisas pré-eleitorais coloca esse bloco abaixo do número necessário: três delas projetam 50 cadeiras para o grupo do premiê, que hoje tem 64, e entre 52 e 56 para o bloco de Eisenkot, com partidos árabes entre 14 e 16. Nas três principais, o Likud aparece com 19 a 21 cadeiras e o Yashar, com 22 a 23.
Segundo as pesquisas, o bloco de Eisenkot também não deve chegar à maioria e provavelmente dependerá dos partidos árabes para derrubar o premiê. Uma pesquisa de emissora vista como alinhada ao primeiro-ministro destoa das demais e prevê 62 cadeiras para a coalizão dele e 44 para a de Eisenkot.
Analistas divergem sobre o desfecho. Para Karina Stange Calandrin, professora de relações internacionais do Ibmec de São Paulo, os candidatos já disseram que não farão aliança com árabes israelenses, e ela afirma: “Minha previsão é que não vai ter coalizão”. Michel Gherman, professor de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, prevê uma coalizão de minoria, com os partidos árabes votando contra Netanyahu sem apoiar o novo governo.
Os dois também diferem sobre as posições dos favoritos. Calandrin diz que os três são “bem parecidos” em segurança, enquanto Gherman afirma que Netanyahu defende um Estado beligerante e que Eisenkot é a favor de acordos com países árabes da região, não com os palestinos neste momento.
Eisenkot acusa o premiê de ter dado pouca atenção ao resgate dos reféns e de não ter agido para impedir o ataque de 2023, embora tivesse sido avisado com antecedência. Netanyahu nega as acusações.
O ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 matou 1,2 mil pessoas e levou cerca de 200 à condição de reféns. Foi o ponto de partida da guerra em Gaza. A Gazeta publicou também sobre a chegada do premiê à eleição pressionado pela oposição e sobre o risco do inverno para dois milhões de pessoas em Gaza. Mais notícias estão na editoria Internacional.


Be the first to comment