O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu aval à soltura do desembargador federal Macário Júdice, preso desde dezembro de 2025 na segunda fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF). Segundo a assessoria de imprensa do STF, a prisão preventiva foi convertida em medidas cautelares, com uso de tornozeleira eletrônica.
Macário Júdice atua no 2º Tribunal Regional Federal (TRF-2). A segunda fase da Operação Unha e Carne investiga o vazamento de informações sigilosas da apuração contra o ex-deputado estadual TH Joias.
Em 13 de março, a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao ministro Alexandre de Moraes uma denúncia contra Macário Ramos Júdice Neto, Rodrigo Bacellar e TH Joias. Segundo a acusação, os três teriam obstruído a investigação sobre o vazamento de informações sigilosas. Para a PGR, o desembargador tinha conhecimento prévio da operação marcada para 3 de setembro de 2025 e teria atuado para “atender a interesses ilícitos de organização criminosa” ao avisar sobre a ação. Os três são denunciados, mas ainda não foram condenados.
Na própria denúncia, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirma que imagens do sistema de câmeras de um condomínio, obtidas durante as investigações, confirmam que TH Joias tinha conhecimento prévio das providências cautelares. Segundo o texto, as mesmas imagens mostram a retirada de bens e objetos com o objetivo de atrapalhar a ação policial.
A defesa do desembargador contesta as provas. O advogado do desembargador, Patrick Berriel, afirma, em manifestação ao STF, que a acusação apresenta incongruências e ilações. Para ele, a apuração dos sinais de celulares de Bacellar e do desembargador indica que os dois não estiveram na churrascaria citada pela PF no pedido de prisão preventiva. A manifestação ainda não foi analisada pelo relator do processo.
Daniel Bialski, advogado de Rodrigo Bacellar, afirmou que Moraes também decidiu transferir o ex-deputado, que está na penitenciária federal de Mossoró, para o sistema penal do Rio de Janeiro. Segundo ele, não há, até o momento, informação sobre o destino do ex-deputado. Nas fontes consultadas, o STF não se manifestou sobre a transferência.
Antes, Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), havia sido preso dias antes do desembargador, na primeira fase da mesma operação. Macário Júdice foi detido na fase seguinte, como desdobramento da investigação.
Não há, nas fontes consultadas, o número do processo, a data exata da decisão de soltura nem a fundamentação de Moraes. Também não foram encontradas manifestações da PF nem da defesa sobre a soltura. A informação ainda não foi confrontada com outra fonte.




