Os eleitores dos Estados Unidos votam nesta terça, 3, para renovar os 435 deputados da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado. Projeções indicam favoritismo dos democratas para retomar o controle das duas Casas, hoje sob maioria republicana apertada.

No Senado, os republicanos têm 53 cadeiras contra 47 dos democratas, número que inclui dois independentes que costumam votar com os democratas. Um analista ouvido avalia que o resultado deve determinar o grau de controle que o Legislativo terá sobre Trump.

Trump não disputa a eleição, e seu mandato termina em janeiro de 2029. Um levantamento do instituto Ipsos divulgado em 19 de outubro registra 31% de aprovação e 66% de desaprovação ao presidente. Parte dessa insatisfação está ligada à condução da economia e ao alto custo de vida.

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Cerca de 210 milhões de eleitores estão habilitados a votar, e a votação antecipada já começou em alguns estados, onde parte dos eleitores já votou pelo correio. Cada estado apura os próprios votos, e os Estados Unidos não têm órgão nacional equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral brasileiro. Os primeiros resultados devem sair na noite de terça, 3, mas pode levar dias até se saber qual partido controlará cada Casa. Em 2022, a Câmara só teve a maioria definida mais de uma semana depois, em parte porque alguns estados demoraram para contar os votos pelo correio.

Os eleitos nesta terça tomam posse em janeiro de 2027, e as regras diferem entre as duas Casas. Deputados têm mandato de dois anos e senadores, de seis; por isso, a cada dois anos, renova-se toda a Câmara e cerca de um terço do Senado. Cada estado tem duas cadeiras no Senado, independentemente da população, enquanto na Câmara as vagas são distribuídas por distritos definidos conforme a densidade populacional de cada estado.

As projeções para o Senado divergem. Uma estimativa do Centro de Política da Universidade da Virgínia, de 14 de outubro, prevê 49 cadeiras democratas, 46 republicanas e cinco indefinidas. Outra aponta 48 cadeiras para cada partido e quatro indefinidas, e uma terceira dá 52 ou 53 cadeiras aos democratas, com 72,5% de chance de vitória dos democratas. Essas são projeções, não resultados. Para a Câmara, não há projeção numérica disponível; as análises apontam apenas favoritismo democrata.

No plano externo, a relação com o Brasil é marcada por tarifas impostas ao país e por atritos com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Parlamentares democratas questionaram a Casa Branca, em cartas, sobre a ação da Meta nas eleições brasileiras e sobre a revogação do visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil nos EUA. Outros democratas pediram explicações sobre a participação da Casa Branca na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, senador pelo PL-RJ. Os democratas também passaram a usar a concessão de visto a Flávio Bolsonaro, candidato derrotado na eleição presidencial brasileira, como argumento contra o governo de Donald Trump e contra o secretário de Estado, Marco Rubio.

Para Paulo Abraão, diretor-executivo da Brazil Office Alliance, uma mudança no comando do Congresso poderia converter cobranças feitas por cartas em investigações, com mais condições de reunir provas e cobrar respostas. Ele pondera, porém, que nada disso é automático: depende das prioridades da nova maioria e pode esbarrar em resistência e disputas judiciais.