BRB é salvo com acordo bilionário no STF. Celina agradece apoio decisivo na crise herdada do Banco Master

O Banco de Brasília (BRB) encontrou uma saída para a crise que ameaçava sua estabilidade financeira. Na tarde desta quinta, 28, o Supremo Tribunal Federal (STF) homologou um acordo entre o Governo do Distrito Federal (GDF) e a União que viabiliza uma operação de crédito de até R$ 6,5 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O entendimento foi mediado pelo ministro Luiz Fux, relator da ação movida pela governadora Celina Leão (PP), e contou com a participação do Ministério da Fazenda e da Advocacia-Geral da União (AGU).

A crise do BRB tem origem nas transações com o Banco Master, instituição liquidada em novembro de 2025, após investigações de fraude que resultaram na prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro. O BRB havia adquirido carteiras de crédito do Master, operações que, segundo apurações do Banco Central e da Polícia Federal, podem ter envolvido ativos inexistentes. As transferências entre as duas instituições totalizaram R$ 16,7 bilhões entre julho de 2024 e outubro de 2025, e o rombo estimado para cobrir perdas e reforçar o capital do BRB chegou a R$ 8,8 bilhões, segundo o próprio banco.

“O povo do Distrito Federal agradece esse acordo firmado hoje. O BRB representa a estrutura do Governo do Distrito Federal e também da população do DF. Hoje o banco começa a sair de um dos momentos mais graves da sua história”, disse a governadora do Distrito Federal

A governadora Celina Leão gravou um vídeo após o acordo e fez questão de prestar um “agradecimento especial” ao governo Federal, ressaltando que a negociação contou com a anuência do chefe do Executivo Federal. Ela também agradeceu ao advogado-geral da União em exercício, Jorge Messias, e ao ministro da Fazenda, Dario Durigan. “Confiança se reconstrói com coragem, verdade e responsabilidade”, afirmou Celina, em declaração que chamou atenção por vir de uma governadora historicamente crítica ao governo Lula — que, há menos de duas semanas, havia admitido que o Palácio do Planalto não tinha aberto espaço para negociação.

O acordo não envolve repasse direto de dinheiro da União ao BRB. O mecanismo central é o empréstimo do FGC, entidade privada mantida pelos próprios bancos e conhecida por garantir depósitos em caso de quebra de instituições financeiras, que agora também participará da operação de socorro ao banco público do DF. O governo federal, por sua vez, alterou a avaliação da Capacidade de Pagamento do GDF — que estava no nível “C”, impedindo o aval da União a novas operações de crédito —, desbloqueando assim o caminho para a operação. A participação de bancos públicos e privados na estruturação do empréstimo ainda está sendo definida.

O BRB atende mais de 10 milhões de correntistas e é peça central da estrutura financeira do Distrito Federal: opera programas sociais, paga salários de servidores públicos, administra benefícios e concentra recursos públicos e depósitos judiciais. Um eventual colapso da instituição, alertou o GDF ao STF, poderia comprometer serviços públicos essenciais para a população. A urgência era real: o banco enfrentava pressão do Banco Central por enquadramento nas regras prudenciais do sistema financeiro, acumulava multas diárias por atraso na publicação de seu balanço e corria contra o prazo para concluir sua capitalização. Apesar do acordo político e jurídico, a operação ainda não está concluída, o FGC precisará analisar e aprovar tecnicamente o plano de negócios do banco antes de liberar os recursos.

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