A Copa do Mundo de 2026, vencida pela Espanha, terminou sem provas de manipulação de resultados segundo a Força-Tarefa de Integridade da Fifa, mas um relatório de um órgão internacional independente revela uma leitura mais cautelosa sobre o comportamento do mercado de apostas ao longo da competição.
A Fifa Integrity Task Force monitorou os 104 jogos do torneio em tempo real e concluiu que não identificou nenhuma atividade suspeita de apostas ou indícios de manipulação de resultados em nenhuma das partidas. A entidade encerrou suas atividades de campo relacionadas ao Mundial e afirmou que os dados coletados e analisados ao longo da competição não revelaram nenhum indício de risco à integridade esportiva, resultado divulgado após o fim do torneio.
Um retrato diferente, no entanto, foi apresentado pelo Grupo de Copenhague, órgão consultivo internacional dedicado à integridade no esporte. Segundo reportagem do portal The Athletic, a entidade emitiu sete alertas sobre possíveis irregularidades em apostas e potenciais manobras de manipulação de resultados durante o Mundial, o que expõe uma divergência entre a avaliação da rede internacional e a da entidade máxima do futebol. O grupo colocou 15 partidas sob vigilância reforçada e analisou 12 grandes controvérsias do torneio, além de estimar que 240 bilhões de dólares foram movimentados em apostas durante a Copa do Mundo de 2026.
Os alertas classificados como “amarelos” pelo Grupo de Copenhague estão associados a comportamentos considerados atípicos nos mercados de apostas, e não a provas concretas de fraude. Entre os episódios citados estão o cartão vermelho recebido por um jogador sul-africano contra o México e uma movimentação de 4,8 milhões de dólares em apostas para o empate ou a derrota da Espanha diante de Cabo Verde. Outro caso chamou atenção por envolver um atacante dos Estados Unidos, cujo mercado de previsões foi aberto no site Polymarket no mesmo dia em que ele recebeu cartão vermelho contra a Bósnia.
A discrepância entre os dois relatórios ilustra o desafio de vigiar um torneio que movimenta cifras bilionárias em apostas esportivas. Enquanto a Fifa mantém a posição de que a integridade do Mundial foi preservada, o Grupo de Copenhague ressalva que os sinais identificados não comprovam fraude, mas justificam atenção redobrada em futuras competições.


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