Cerca de 320 mil pessoas participaram neste sábado, 31, de protestos em cerca de 30 cidades da França, segundo estimativa do governo, e as autoridades registraram mais de 560 prisões até a noite. Os atos, contra o custo de vida e as condições da educação, terminaram em confrontos com a polícia em Paris e em outras cidades.
Foi o 3º fim de semana seguido de atos, e o total ficou abaixo dos 550 mil de 17 de outubro e dos 410 mil registrados nos protestos de 24 de outubro, segundo o governo. Em Paris, a polícia estimou 70 mil participantes, contra 200 mil apontados pelos organizadores. Sindicatos estudantis falaram em meio milhão de manifestantes em todo o país, e a central sindical CGT, em até 800 mil.
Para reforçar a segurança nos atos, o governo mobilizou cerca de 70 mil agentes, entre policiais, gendarmes, veículos blindados, drones e helicópteros, e avaliou que os atos representam “alto risco” para a ordem pública. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, já havia alertado para um risco “muito elevado” de distúrbios, especialmente na noite de Halloween.
Após as marchas, houve confrontos em Paris, na região da Porte de Charenton, e em Lyon, Toulouse, Marselha, Rennes e Nantes. A polícia usou gás lacrimogêneo, granadas de efeito moral e canhão de água. Segundo o ministro, um policial ficou levemente ferido ao ser atingido por um coquetel molotov, e outros 10 gendarmes também se feriram.
Segundo o Ministério do Interior, grupos radicais tentaram se separar das marchas para provocar danos e saques em Bordeaux, Toulouse, Lyon e Marselha, mas as forças de segurança os contiveram. Autoridades também disseram ter encontrado objetos que poderiam ser usados como armas em fiscalizações em estações ferroviárias e rodovias. Outra contagem, anterior e sem data precisa, aponta ao menos 422 presos.
O ministro Nuñez afirmou que “as manifestações decorreram bem”, mas lamentou a volta de agitadores infiltrados aos confrontos com as forças de segurança. Ele também disse que a legislação permite proibir o uso de máscaras quando houver ameaça à ordem pública.
A Justiça administrativa rejeitou recurso de sindicatos e manteve a proibição de uma marcha entre a Place de la Nation e a Bastille, e as autoridades autorizaram um percurso na zona leste de Paris. Em Paris, as autoridades restringiram, das 23h às 6h do sábado e do domingo, o acesso a áreas como a Place de la République e Les Halles. A Embaixada dos Estados Unidos recomendou que viajantes evitem regiões com manifestações previstas ou grandes aglomerações.
Para a Câmara de Comércio, os prejuízos ao varejo superam um bilhão de euros, e outras estimativas falam em perdas duas vezes maiores, por incluírem danos não cobertos por seguros e receitas perdidas. Na sexta, 30, a Fitch mudou de estável para negativa a perspectiva da nota de crédito da França, e dados divulgados no mesmo dia indicaram contração da economia no 3º trimestre. Em Paris, o manifestante Jérôme Rodriguez disse: “A economia francesa está indo mal, aconteça o que acontecer, porque hoje somos governados por um grupo de incompetentes que fazem malabarismos com bilhões, enquanto as famílias lutam para sobreviver com alguns centavos”.
Na Alemanha
Na Alemanha, os atos do grupo Gen Z regelt, cujo nome significa “Geração Z assume o comando”, estavam programados para 34 cidades. Em Frankfurt, Munique e Berlim, a polícia contou seis mil manifestantes, contra cerca de 36 mil indicados pelos organizadores no site deles. Os organizadores esperavam cerca de 182 mil participantes, e mais de 180 mil se inscreveram, mas não há contagem nacional consolidada.
Segundo o grupo, a mobilização se opõe ao serviço militar obrigatório e defende mais investimento em educação, em meio às dificuldades dos jovens com o custo de vida. Especialistas consultados na Alemanha falam em mudança geracional, que junta pautas ambientais a demandas econômicas como aluguel, moradia e mercado de trabalho.
Em Frankfurt, depois da dispersão, houve tumultos com pedras, fogos de artifício contra policiais, vitrines quebradas e lojas saqueadas. O secretário do Interior do estado de Hesse, Roman Poseck, afirmou que cerca de 100 manifestantes “atacaram em massa” a polícia e que vários policiais ficaram feridos.
Segundo a imprensa alemã, esses incidentes teriam sido iniciados por pessoas que não faziam parte dos protestos, e o grupo afirmou, em nota, ser contra qualquer tipo de violência. O Ministério Federal do Interior disse que parte da cena extremista alemã e grupos vinculados a movimentos estrangeiros se uniram para angariar apoio aos atos. Lojas em várias cidades taparam vitrines com tábuas e anteciparam o fechamento, inclusive na Kurfürstendamm, avenida comercial de Berlim.
Os protestos franceses começaram no fim de setembro com estudantes secundaristas e universitários, que reclamavam da superlotação das salas e da piora das escolas e universidades. Depois aderiram sindicatos e o movimento dos Coletes Amarelos. O líder da esquerda Jean-Luc Mélenchon participou da marcha em Paris, e o governo minoritário de Emmanuel Macron iniciava negociações sobre o orçamento de 2027. A eleição presidencial está prevista para abril de 2027, e Marine Le Pen aparece na frente das pesquisas.




