O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, manteve na última quinta, 5, a prisão preventiva do empresário Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e rejeitou o pedido de prisão domiciliar. Zettel é investigado na Operação Compliance Zero, que trata de fraudes no Banco Master.
Para o ministro, a prisão preventiva é necessária à manutenção das investigações. No trecho divulgado da decisão, ele afirma: “A prisão preventiva autorizada nos autos segue adequada e indispensável à aplicação da lei penal, à manutenção da ordem pública e à conveniência da instrução criminal, devendo ser mantida”. A defesa havia pedido a troca da prisão por domiciliar, por razões humanitárias. Zettel está preso desde março, na terceira fase da operação, e cumpre custódia na Penitenciária II de Potim (SP).
No mesmo dia, Fachin solicitou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se pronuncie sobre o pedido de liberdade feito pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Vorcaro cumpre custódia na Papudinha, no Distrito Federal, desde março. Com o parecer, o ministro decidirá se Vorcaro poderá ser solto, e não há prazo definido para essa decisão. Para o papel da PGR em outro processo, leia Kassio dá 10 dias à PGR para opinar sobre revisão de Bolsonaro.
Na semana passada, a Polícia Federal (PF) indiciou Vorcaro e mais 14 investigados por fraudes financeiras no Banco Regional de Brasília (BRB), totalizando 15 indiciados. Segundo o relatório de indiciamento, Vorcaro teve “participação pessoal, reiterada e diretiva” em operações com carteiras de crédito irregulares do Banco Master. Essas operações, ainda segundo o relatório, causam prejuízos ao BRB. Indiciamento é uma etapa das investigações, não uma condenação.
Segundo a investigação da PF, Zettel é acusado de ser o operador financeiro de Vorcaro em uma organização criminosa investigada no caso Master. Ainda na última quinta, 5, ele prestou depoimento à PF por videoconferência, de Potim, em uma oitiva de cerca de 50 minutos.
Em depoimento, Zettel teria negado conhecer o grupo chamado “A Turma” e dito que sua atuação se restringia à realização de pagamentos, sem questionar suas finalidades. Os detalhes desse relato não foram confirmados pela PF. Os advogados de Zettel alegaram problemas de saúde da esposa e o nascimento de filhos gêmeos para pedir a substituição da prisão preventiva.
A defesa de Vorcaro afirmou, em nota, que “nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo”, e disse que a PF “limita a repetir a mesma narrativa”. Segundo a defesa, o negócio com as carteiras da Tirreno não foi concluído e as carteiras foram substituídas por outros ativos, o que, na avaliação dela, gerou resultados positivos para o BRB. Não foi possível verificar essa afirmação.
O conselho do BRB aprovou, em março de 2025, a aquisição de 58% do capital do Banco Master, negócio estimado em dois bilhões de reais. O BRB é uma sociedade de capital misto controlada majoritariamente pelo Governo do Distrito Federal (GDF). As fontes consultadas não detalham o papel de Zettel nessa operação, e a reportagem não localizou nota oficial do STF ou da PGR sobre o caso. Para outras decisões do ministro, leia Fachin arquiva três investigações do inquérito das fake news.





