Israel ataca petroquímica iraniana e Irã retalia com mísseis. Escalada marca 100 dias de guerra

No centésimo dia do conflito entre Israel e Irã, a trégua frágil estabelecida há dois meses deu sinais claros de colapso. Nesta segunda, 8, autoridades iranianas confirmaram um ataque israelense ao complexo petroquímico de Mahshahr, no sudoeste do país, enquanto Teerã anunciou retaliação contra duas das principais bases aéreas de Israel, Nevatim e Tel Nof. O fogo cruzado de magnitude inédita desde o cessar-fogo de abril eleva o risco de um retorno aos combates em larga escala.

O vice-governador da região de Mahshahr confirmou que a empresa petroquímica Karoon foi atingida por projéteis israelenses, sofrendo “danos parciais” nas instalações. A declaração veio logo após o Exército israelense informar que havia atacado “vários alvos” na área petroquímica próxima ao Golfo Pérsico. Em contrapartida, a Guarda da Revolução Islâmica afirmou que sua operação contra as bases israelenses foi uma resposta direta ao bombardeio de radares iranianos em três regiões diferentes do país.

A escalada desta segunda-feira tem raízes no último domingo, 7, quando o Irã lançou 11 mísseis contra Israel após um ataque israelense a dois apartamentos em Dahiyeh, subúrbio de Beirute, que deixou ao menos dois mortos e 20 feridos. Israel classificou a operação como um ataque a um quartel do Hezbollah. Teerã havia avisado que retaliaria caso os bombardeios israelenses ao Líbano continuassem, argumentando que o cessar-fogo firmado com os Estados Unidos em abril também abrange o território libanês.

O Exército israelense afirmou ter interceptado todos os mísseis iranianos e enviou alertas de precaução para celulares nas áreas possivelmente afetadas. Jornalistas da AFP confirmaram duas explosões em Jerusalém. Separadamente, as forças israelenses também anunciaram a interceptação de um míssil lançado pelos rebeldes Houthis, do Iêmen, contra o território israelense.

O ciclo de ataques recíprocos complica gravemente os esforços de mediação internacional para encerrar um conflito que teve início com as ofensivas dos Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. A retomada das hostilidades em escala elevada ameaça não apenas a estabilidade regional, mas também as negociações em curso para um cessar-fogo permanente, colocando em xeque meses de pressão diplomática.

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