Flávio Bolsonaro (PL) recebeu, em Brasília, na última terça, 6, o apoio formal da Federação União Progressista e, na última quarta, 7, o do Novo para o 2º turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
A federação reúne União Brasil e Progressistas e aprovou a adesão por unanimidade. Antônio Rueda e Ciro Nogueira, presidentes das duas siglas, divulgaram a decisão, que foi justificada por mudanças no cenário brasileiro e por propostas de gestão pública mais moderna, redução da burocracia e reorganização econômica. Marcel van Hattem, senador eleito, apresentou o apoio do Novo, partido de Romeu Zema, como uma forma de derrotar o PT no 2º turno e defender uma agenda econômica e política compatível com as posições do partido. Zema somou pouco mais de 326 mil votos, ou 0,27% do total, no 1º turno.
Na entrevista coletiva em Brasília que confirmou o apoio da federação, Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, disse que pretende alterar a Constituição em temas tributários e na maioridade penal. Para ele, essas mudanças dependem de Proposta de Emenda à Constituição (PEC): “Tem que haver uma reforma no Judiciário. Sou a favor da redução da maioridade penal há bastante tempo, isso tem que ser feito por PEC. Tem pontos da reforma tributária que precisam ser feitos por PEC”, declarou.
Flávio Bolsonaro também defendeu o fim da reeleição e afirmou que não tentaria um novo mandato se fosse eleito. Segundo o candidato, a proposta seria levada ao Congresso Nacional, que definiria seu alcance: “É o Congresso que vai definir os critérios, se vai ser mandato de quatro, de cinco anos; se vai valer só para presidente [da República], se vai valer também para governador. É o processo legislativo que vai ser respeitado e a maioria vai decidir”.
Em março, Flávio Bolsonaro havia protocolado no Senado uma PEC para proibir a reeleição presidencial. O texto recebeu 30 assinaturas, três acima do mínimo de 27 exigido para sua apresentação, e prevê que a regra alcance o presidente eleito em outubro de 2026, mantendo a possibilidade de reeleição para governadores e prefeitos.
Para ser aprovada, uma PEC deve ser discutida e votada em dois turnos na Câmara dos Deputados e no Senado, além de obter três quintos dos votos em cada Casa — 308 deputados federais e 49 senadores. Na legislatura eleita, o PL terá 28 representantes no Senado e 121 deputados, formando a maior bancada da Câmara. A Federação Brasil da Esperança ficará em 2º lugar entre as bancadas da Câmara, com 88 deputados, e reúne o Partido Verde, o Partido Comunista do Brasil e o Partido dos Trabalhadores.
Na avaliação de Flávio Bolsonaro, candidato do PL, a disputa mudou. O candidato declarou: “Agora não é mais esquerda contra direita; é quem quer mudança contra aqueles que não querem a mudança”. O candidato acrescentou que muitos de seus apoiadores já o acompanhavam no 1º turno e que o apoio formal agora ganhou caráter programático: “Muitos, individualmente, já estavam caminhando comigo no 1º turno, mas agora é um momento ainda mais importante e há essa aderência oficial em conjunto de uma forma programática”. A formalização amplia o grupo de partidos ao redor da candidatura, mas não garante que os votos migrem automaticamente; pode trazer estrutura, lideranças regionais, tempo político e capilaridade.
As fontes consultadas não detalham uma plataforma conjunta entre Flávio Bolsonaro, a Federação União Progressista e o Novo. Também não está esclarecido se o apoio orienta obrigatoriamente as bancadas ou se representa apenas uma decisão política das direções.


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