Flávio Bolsonaro indicou nesta sexta, 30, o senador Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado, em live noturna, a primeira desde que deixou o país. Na mesma transmissão, o candidato derrotado à Presidência explicou por que saiu do Brasil e disse que pretende concorrer novamente ao cargo antes de 2030.

Na live, Flávio disse: “A pessoa que eu vou indicar é o Rogério Marinho para a presidência do Senado Federal.” Na terça, 27, o próprio Marinho afirmou que Flávio, “com os 60 milhões de votos que teve”, deveria assumir a liderança da oposição.

Flávio também afirmou que pretende usar seu “alcance” nos Estados Unidos para ser “resistência” no Congresso Nacional. Ele disse ainda que o Brasil vai quebrar, o que levaria Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a deixar o cargo antes do fim do mandato.

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Segundo apuração jornalística ainda não confirmada por outra fonte, a saída teria sido preparada às pressas e mantida em sigilo, com apenas dois aliados políticos informados. Flávio disse que manteve a decisão longe dos aliados para impedir que o plano viesse a público. Ele também relatou uma conversa com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, segundo ele, teria dito: “Já sabe, né, onde eles querem chegar com isso?” Esse relato não foi verificado de forma independente.

Informações sobre o trajeto foram inicialmente contraditórias. Segundo a Direção Nacional de Migraciones da Argentina, Flávio, a mulher e as duas filhas entraram no país vizinho na noite de terça, 27, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Misiones, e embarcaram às 23h30 em voo particular com destino a Guayaquil, no Equador. Um avião da Baires Fly decolou do Equador às 6h22 de quarta, 28, rumo a Miami, onde Flávio chegou na manhã do mesmo dia. Fontes do governo dos Estados Unidos chegaram a falar em chegada já na terça, 27, data que diverge da registrada pelas autoridades argentinas.

A saída do país ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibir Flávio de deixar o país e ordenar o cancelamento de seus passaportes, no domingo, 25. Na segunda, 26, o senador foi intimado pela Polícia Federal (PF) a entregar os documentos, que não foram entregues, e a PF cancelou os passaportes. Em vídeo do mesmo dia, Flávio afirmou: “Fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o País.” A assessoria dele, em nota, disse que o senador cumpriria a determinação e que “nunca pensou em deixar o Brasil”.

Flávio é investigado pela PF em diferentes inquéritos por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção, e não há condenação. Ele e o advogado Willer Tomaz também são investigados no STF em inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, e a decisão de Moraes proibiu o senador de manter contato com Tomaz. Reportagens divergem sobre a data do fim do mandato de Flávio como senador, se em janeiro ou em fevereiro de 2027.

Marinho, que atuou na campanha de Flávio, disse que Lula venceu nas urnas, mas afirmou não ter provas de que a eleição tenha sido “roubada”, como sugeriu Flávio. Ele afirmou que esteve com Flávio pela última vez até as 16h de segunda, 26, e que recebeu mensagem dele na terça, 27, por volta das 8h, em que Flávio dizia que iria “dar um tempo” antes de voltar a falar com aliados. Na mesma data, Marinho disse: “Nós, evidentemente, não fomos informados, mas até compreendo caso o senador Flávio tenha saído do Brasil com sua família.”

Até o fechamento desta matéria, não há manifestação do PL sobre a indicação de Marinho nas fontes consultadas, nem resposta oficial de Flávio à indicação. Também não há confirmação oficial, do Brasil ou dos Estados Unidos, de que o governo norte-americano tenha concedido visto ou ajudado na saída do senador.

As informações disponíveis também não trazem data para a eleição do novo comando do Senado.